Sindicomerciários Caxias denuncia intransigência dos supermercados e deve intensificar a mobilização por reajuste com ganho real

Nesta sexta-feira, 29 de agosto, mais uma rodada de negociações entre o Sindicomerciários Caxias e o sindicato patronal do setor de supermercados (Sindigêneros) terminou sem avanço. Pela quinta vez consecutiva, os representantes dos patrões se recusaram a conceder um reajuste salarial com ganho real para os trabalhadores e trabalhadoras de mercados.
Mesmo em um cenário de crescimento econômico, com indicadores positivos e outras categorias do comércio — como a dos lojistas — já tendo conquistado aumentos superiores à inflação, os empregadores do setor de supermercados permanecem inflexíveis. O Sindicomerciários considera essa postura injustificável, especialmente diante das condições mais duras enfrentadas pelos trabalhadores e trabalhadoras de mercados, que atuam frequentemente em domingos, feriados e recebem um dos menores pisos salariais da categoria.
Falta de valorização num setor essencial
Para Nilvo Riboldi Filho, presidente do Sindicomerciários Caxias, a intransigência patronal desconsidera o papel estratégico dos trabalhadores de supermercados, que foram fundamentais durante a pandemia para garantir o abastecimento da população. “Mesmo com alta rotatividade e dificuldade de contratação, os patrões se mostram insensíveis. Oferecer apenas a reposição da inflação é como não oferecer nada”, afirma Nilvo. Ele destaca que, enquanto é possível postergar a compra de roupas, ninguém deixa de comprar alimentos ou produtos de higiene — setores diretamente movimentados pelos supermercados.
Setor em crescimento, mas sem reconhecimento
Guiomar Vidor, presidente da Fecosul, também criticou duramente a proposta patronal, ressaltando que “é incompreensível que um setor que registrou crescimento de 11,9% no varejo em 2024 insista em oferecer apenas a inflação ou pouco mais do que isso. É hora de valorizar os comerciários e comerciárias. Nossa luta é por direitos e dignidade”.
Nilvo reforça que o comércio gaúcho cresceu 8,4% — quase o dobro da média nacional (4,7%) — e que o PIB do país cresceu 3,5%, com a menor taxa de desemprego da história (6,6%), configurando um cenário de pleno emprego. “Mesmo assim, as empresas não conseguem preencher as vagas em aberto, pois a rotatividade no setor comerciário do RS é de alarmantes 58,9%”, destaca.
Sindicomerciários segue defendendo o acordo com base no diálogo
Diante do impasse, o Sindicomerciários seguirá buscando um acordo já, mas desde que garanta um aumento justo, acima da inflação para os comerciários e comerciárias de mercados, assim como a manutenção integral dos direitos já conquistados na Convenção Coletiva de Trabalho — direitos esses fruto de décadas de mobilização dos trabalhadores.
Caso não haja avanços concretos na proposta patronal nos próximos dias, o Sindicomerciários deverá ingressar com ação de dissídio coletivo no Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4/RS).
Nilvo concluiu: “Seguiremos mobilizados até que haja reconhecimento e valorização para quem move os supermercados todos os dias: os trabalhadores e trabalhadoras!”