• 7 de março de 2021

SINDICOMERCIÁRIOS ALERTA: TRABALHADORES DE CAXIAS ESTÃO EMPOBRECENDO

 SINDICOMERCIÁRIOS ALERTA: TRABALHADORES DE CAXIAS ESTÃO EMPOBRECENDO

O Sindicomerciários Caxias está analisando com maior profundidade o estudo apresentado pelo Observatório do Trabalho da UCS, a partir das informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério da Economia, no qual foi constatado grande diminuição da renda dos trabalhadores caxienses. Perderam renda os que recebem entre um e dois salários mínimos, e houve a diminuição dos que ganhavam de dois a quatro salários mínimos, este que era o padrão histórico de Caxias.

Segundo os analistas, em Caxias, aproximadamente 80% dos empregados com carteira assinada ganham até quatro salários mínimos, mas a renda do trabalho vem caindo de forma acelerada, assim como o número de famílias recorrendo à assistência social vem aumentando. Para o Sindicomerciários Caxias, são diversos fatores, como a pandemia, o fim do auxílio emergencial, o aumento dos preços da cesta básica e, principalmente, a destruição da política de valorização dos salários e a reforma trabalhista que tirou direitos e enfraqueceu a posição dos trabalhadores.

RENDA ESTÁ CAINDO MAIS DE 2018 PRA CÁ

A queda na renda se acentuou entre 2018 e 2019, quando ocorreu um aumento de 9,23% do número de empregados que recebem entre um e dois salários mínimos, em Caxias. Enquanto que, no mesmo período, ocorreu uma queda de 11,78% das pessoas com rendimento entre dois a quatro salários.

Ao mesmo tempo em que os trabalhadores formais têm perdido seu poder de consumo, ocorre um aumento sistemático e acentuado de preços, como da cesta básica. Da mesma maneira, a cesta básica teve um aumento de 9,62% em relação a janeiro de 2020, fazendo com que o consumidor precise desembolsar R$ 989,51 para sua compra.

PODER DE COMPRA DAS FAMÍLIAS ESTÁ CAINDO

O poder de compra das famílias de trabalhadores caxienses está sendo fortemente afetada por vários fatores que vão além da pandemia. Guiomar Vidor, presidente da Fecosul e CTB/RS, lembra que “a política do governo de não dar aumento real ao salário mínimo e, a precarização dos vínculos de trabalhos causados pela Reforma Trabalhista, assim como o total descontrole no combate à pandemia e auxílio da população têm causado prejuízo para economia e, geração de empregos, o que afeta muito o poder de compra dos trabalhadores”.

Vidor lembra que as Centrais Sindicais entregaram no Palácio Piratini, na última semana de janeiro, a pauta de reivindicações dos trabalhadores gaúchos para reajuste do Salário Mínimo Regional para 2021. No texto, que contou com a assessoria do DIEESE, está fundamentado um pedido de reajuste de 13,79%, ou 1,28 salários mínimos. O piso hoje impacta na vida de 1,3 milhões de trabalhadores no estado.

POLÍTICA QUE VALORIZAVA SALÁRIOS ESTÁ SENDO DESTRUÍDA

Para Nilvo Riboldi Filho, presidente do Sindicomerciários Caxias, “a pandemia não é a única vilã deste cenário, estamos vivenciando nos últimos anos a destruição de toda uma política de valorização do salário mínimo que foi instituÍda nos governos Lula. Outro fator são as perdas da Reforma Trabalhista que não gerou os empregos prometidos, bem pelo contrário, o que vemos é o aumento das demissões. Quando o trabalhador consegue recolocação, se conseguir, recebe muito menos do que antes”.

MENOS SALÁRIO, MENOS CONSUMO

Nilvo salienta que a queda do poder de compra reflete-se no comércio, pois “o emprego dos comerciários e comerciárias depende das vendas. A queda nos salários e a insegurança do consumidor estão afetando a todos. E, somado ao medo da pandemia, temos um cenário ainda mais agravado”.

Segundo o professor e pesquisador do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais da UCS, Mosár Leandro Ness, o custo básico de se viver em Caxias do Sul seria de R$ 5.559,30, sendo esse o rendimento ideal para que um casal com dois filhos possa viver em Caxias do Sul, uma realidade que está longe para grande maioria dos Caxienses.

Houve uma migração no perfil de trabalhadores que recebem entre dois a quatro salários mínimos, no qual se encontram a maior parcela da população caxiense. Em 2010, 67.162 trabalhadores formais, ganhavam entre dois e quatro salários mínimos. Em 2019, essa parcela de empregados reduziu para 54.496 pessoas. Ou seja, um decréscimo de 18,8%.

CAXIAS ESTÁ FICANDO MAIS POBRE

Conforme dados de outubro de 2020, mais de 60 mil caxienses fazem parte do Cadastro Único, formado por pessoas que ganham até meio salário mínimo ou famílias com renda mensal de três salários mínimos. Com aproximadamente 14 mil registros, em março de 2020, aumento é de 371% na última década! “A população alvo do programa é constituída por famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza”, explica Rafael Zucco, diretor de Gestão e Benefícios Assistenciais e Transferência de Renda da Fundação de Assistência Social (FAS). Para demonstrar melhor o quadro de pobreza caxiense, existem atualmente 8.752 beneficiários do Bolsa Família na cidade, conforme dados de janeiro deste ano.

“Se não reagirmos, as perdas serão ainda maiores”

Nilvo concluiu dizendo que, com a falta de valorização dos trabalhadores caxienses, quem sai perdendo é toda a cidade e região. Segundo ele, isto significa menos consumo no comércio e menos desenvolvimento em toda a cadeia econômica local. “É um absurdo retirar direitos e o poder de compra dos trabalhadores, os efeitos disso estamos vendo agora, com esse estudo da UCS. Todos saem perdendo. Nós, do Sindicomerciários Caxias, estamos denunciando essa realidade desde 2016, quando o governo federal começou a liquidar com a política de valorização dos salários. Se nós, trabalhadores e sociedade, não reagirmos, as perdas serão ainda maiores”.

Comerciários

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