• 21 de outubro de 2021

Outubro Rosa destaca a necessidade de empoderar a saúde da mulher no país

 Outubro Rosa destaca a necessidade de empoderar a saúde da mulher no país

Por Marcos Aurélio Ruy (Foto: Divulgação)

Todos os anos a campanha Outubro Rosa destaca a importância do combate ao câncer de mama. Dados do Instituo Nacional de Câncer (Inca) mostram que o câncer de mama é o que mais atinge as mulheres no mundo. Somente em 2020, foram estimados cerca de 2,3 milhões de casos novos.

No Brasil não é diferente e “a campanha traz à tona o cuidado da mulher, que na rotina do seu dia a dia, não tem tempo para cuidar de si”, afirma Elgiane Lago, secretária da Saúde da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). “Durante o mês de outubro, por causa da campanha, a mulher acaba olhando mais para seu corpo e para os cuidados necessários para a preservação da saúde”.

Uma reportagem de Bárbara Miranda, na revista AzMina aponta o pouco caso do desgoverno de Jair Bolsonaro com a saúde pública, especificamente com a saúde da mulher. Segundo o levantamento feito “entre janeiro de 2019 e julho de 2021, o desgoverno gastou aproximadamente R$ 376,4 milhões dos R$ 1,1 bilhão disponível para as políticas que têm as mulheres como público-alvo no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e no Ministério da Saúde”. Cerca de 1/3 da disponibilidade, recurso que já significa pouco.

“Desde o golpe que tirou a Dilma da Presidência, em 2016, as políticas públicas em favor de melhorias de vida para as mulheres têm sofrido cortes de verbas e na gestão de Bolsonaro essa queda de investimentos tem sido completamente abandonada”, diz Celina Arês, secretária da Mulher Trabalhadora da CTB.

“Questões como a Casa da Mulher Brasileira, Rede Cegonha e diversos outros programas de atendimento e colhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade estão praticamente abandonadas”, assinala.

Por isso, ressalta Elgiane, “no Brasil, a campanha do Outubro Rosa vai muito além do combate ao câncer de mama e destaca a necessidade de luta pelos direitos da mulher e por consequência de toda a população”. Coisas para a prevenção de doenças, como “trabalho digno, moradia, alimentação adequada à sua família e segurança”, além de “combate à violência doméstica, à discriminação no mercado de trabalho e na sociedade como um todo”.

Durante a pandemia a situação se agravou

“Além do negacionismo, do atraso proposital na compra de vacinas e da acusação de ilícitos em compra de vacinas e insumos para o combate ao coronavírus”, como mostra a revista AzMina, “o período da pandemia marcou os piores desempenhos de Bolsonaro na execução do orçamento voltado às mulheres”.

Além disso, “as quatro rubricas analisadas pela reportagem no Ministério da Saúde, que tiveram 86,3% dos recursos próprios empregados em 2019 – seu primeiro ano de mandato – passaram um patamar de execução inferior a 70% em 2020 e 2021”.

Relatório do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) mostra a ligação direta entre o corte de gastos com o número de mortos por covid no Brasil. As conclusões do relatório mostram que “enquanto o número de mortos pela covid-19 no Brasil atingiu seu pico nos meses de março e abril de 2021, uma execução orçamentária destinada para o combate ao coronavírus esteve nos níveis mais baixos no início deste ano”, aponta a reportagem da AzMina.

Com tudo isso, Débora Melecchi, secretária adjunta da Saúde da CTB, ressalta a importância da campanha do Outubro Rosa que, desde os anos 1990, destaca a necessidade de prevenção ao câncer de mama em mais de 160 países.

No Brasil, “já tivemos campanhas muito mais efetivas por parte dos governantes, mas na atualidade dependemos exclusivamente da sociedade civil para informarmos a importância dos exames de prevenção”, lamenta.

Para ela, o “Outubro Rosa é um importante momento para divulgar informações sobre o câncer de mama e fortalecer as recomendações para prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento da doença” porque “no Brasil, foram estimados 66.280 casos novos de câncer de mama em 2021, com um risco estimado de 61,61 casos a cada 100 mil mulheres, como informa o Inca”.

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