• 27 de outubro de 2021

Trabalhadores de supermercados estão entre os que mais morrem por causa da pandemia

 Trabalhadores de supermercados estão entre os que mais morrem por causa da pandemia

Levantamento feito com base no Caged revela aumento de óbitos de trabalhadores de serviços considerados essenciais e que não puderam ficar em casa, como caixas de mercados, frentistas e motoristas.

Segundo levantamento feito com base em informações do Ministério da Economia pelo EL País, trabalhadores formais que não puderam ficar em casa em nenhum momento da pandemia, como os comerciários, especialmente de mercados, registraram aumento de mortes no Brasil. A análise dos contratos formais revela o aumento dos óbitos na comparação de janeiro e fevereiro de 2021 em relação a 2020. Operadores de caixa de supermercado perderam 67% mais colegas no mesmo período. Frentistas de posto de gasolina, tiveram um salto de 68%. Motoristas de ônibus tiveram 62% mais mortes. Entre os vigilantes, que incluem os profissionais terceirizados que monitoram a temperatura de quem entra em shoppings centers, houve 59% de mortes a mais.

As conclusões vêm de uma análise do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, o Novo Caged, ligado ao Ministério da Economia. O sistema coleta, mês a mês, informações sobre contratos formais de emprego, inclusive o motivo de encerramentos. Morte é um deles, embora não seja informada a causa. Por isso, não é possível saber se todo o contingente de óbitos se deve apenas à covid-19, mas é possível adaptar o conceito de “excesso de mortes” com base neste banco de dados.

Segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Brasil teve mais de 275.500 mortes por causas naturais a mais que o esperado para o país em 2020, um excesso de óbitos de 22%. O que a análise dos dados do Caged sinaliza ―de maneira inédita― é o custo da covid-19 para os trabalhadores de atividades consideradas essenciais. O levantamento mostra taxas de excesso de mortes bem superiores à média da população. São números fortes, principalmente considerando que o cadastro do Ministério do Trabalho só capta dados do mercado formal. Ou seja, não estão contabilizadas aqui as mortes de autônomos e microempresários individuais.

Mortes de trabalhadores superam as expectativas iniciais
O pesquisador Yuri Lima, do Laboratório do Futuro da Coppe/Universidade Federal do Rio de Janeiro, divulgou no início da pandemia um estudo mapeando o risco das variadas atividades profissionais. Segundo a primeira avaliação, trabalhadores do comércio tinham 53% a mais de risco de contágio, os da saúde 50% e os professores até 70% caso nenhuma medida fosse tomada, com portas abertas e aulas presenciais. “O caso do pessoal do comércio é muito interessante”, diz Lima. “Se ele continua aberto porque é essencial, vai continuar um risco alto.” O problema, diz, é que várias alterações foram feitas na definição do que é uma atividade essencial, logo nos primeiros meses da pandemia.

Fausto Augusto Junior, diretor técnico do DIEESE, esclarece que “houve o aumento de 70% do número de mortes de trabalhadores durante a pandemia comparando o primeiro trimestre de 2020 e de 2021. Ou seja, mais de 70 mil trabalhadores perderam sua vida nos últimos 4 trimestres.” Números, que segundo Fausto, refletem que os trabalhadores estão pagando com a própria vida pela irresponsabilidade do atual governo e sua gestão da pandemia, que causa problemas no desemprenho da economia e, consequentemente, mais de 14 milhões de desempregados. O Boletim Emprego em Pauta, do DIEESE, aponta o aumento no número de desligamentos por morte no emprego celetista. Neste período, os desligamentos desse tipo (falecimento) aumentaram 71,6% no país.

Para Nilvo Riboldi Filho, “os dados apresentados pelo Caged e DIEESE, comprovam o que estamos falando desde o início da pandemia, que os comerciários e comerciárias, por estarem na linha de frente, principalmente os que garante nosso abastecimento, que não têm como trabalhar em casa, acabam colocando sua vida e de suas famílias em risco. A luta pela vacinação já de todos os trabalhadores e da fiscalização sobre as normas de segurança são emergenciais! Neste momento, em que iniciamos mais uma campanha salarial, estamos levando isso como prioridade para as mesas de negociação, pois sabemos que os trabalhadores são essenciais, todos, e que precisam ser valorizados”!

Fonte: DIEESE, EL País, Base de dados Caged e Rede Brasil

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