SINDICOMERCIÁRIOS CAXIAS PARTICIPA DE REUNIÃO COM O MPT PARA COBRAR PROVIDÊNCIAS SOBRE DENÚNCIAS DE TRABALHADORES DAS LOJAS COLOMBO
Na tarde desta quarta-feira, 5 de agosto, a direção do Sindicomerciários Caxias, representada pelo presidente em exercício Bruno Andreis, pela tesoureira Ivanir Perrone e pelo diretor Natanael Borel dos Santos, participou de uma reunião on-line com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para tratar de denúncias apresentadas por trabalhadores e trabalhadoras das Lojas Colombo.
Também participaram do encontro representantes da empresa, o presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, dirigentes da CTB-RS e representantes de sindicatos de diversas regiões do Estado. O objetivo foi cobrar respostas e soluções para problemas que, segundo os relatos recebidos pelas entidades sindicais, vêm comprometendo as condições de trabalho nas unidades da rede.
Entre as principais denúncias apresentadas pelos trabalhadores estão:
– Obrigação imposta pela empresa para que vendedores realizem a carga e descarga de mercadorias dos caminhões, incluindo pessoas com deficiência (PCDs) e menores aprendizes;
– Utilização do telefone celular particular dos trabalhadores para atividades da empresa, como marketing, vendas e cobranças;
– Falta de mesas e computadores adequados para o atendimento aos clientes;
– Retirada dos bancos destinados ao descanso dos trabalhadores;
– Metas consideradas inalcançáveis e dificuldades de acesso aos relatórios de vendas e comissionamento.

Durante a reunião, representantes da empresa sustentaram que o uso do celular particular não traria prejuízos aos trabalhadores e afirmaram que eles podem utilizar computadores da gerência para acessar informações ou solicitar dados ao setor de Recursos Humanos, além de informarem que estariam providenciando melhorias no aplicativo utilizado pela rede.
Para o presidente da Fecosul, Guiomar Vidor, porém, as justificativas não enfrentam o problema central. “O uso de aparelhos particulares dos trabalhadores para desempenhar atividades da empresa, inclusive cobranças, não condiz com as obrigações da função. Isso transfere custos ao empregado e cria dificuldades para o exercício do trabalho. Todos queremos que os trabalhadores possam vender mais e melhorar seus rendimentos, assim como que a empresa cresça. Mas isso precisa ocorrer com respeito à legislação e às condições dignas de trabalho.”
Guiomar também criticou a exigência de que vendedores realizem a descarga de mercadorias: “Não é admissível que trabalhadores, inclusive pessoas com deficiência, menores aprendizes e mulheres, sejam obrigados a descarregar mercadorias. Essa atividade não faz parte das atribuições para as quais foram contratados.”
Para Bruno Andreis, presidente em exercício do Sindicomerciários Caxias, os relatos apresentados pelos sindicatos demonstram que as denúncias não são casos isolados: “Durante a reunião, ficou evidente que os problemas relatados se repetem em diversas lojas da rede. Recebemos denúncias de trabalhadores descarregando fogões a lenha e eletrodomésticos pesados, além da utilização dos celulares pessoais para vendas e até cobranças. Não estamos falando de situações pontuais, mas de práticas que precisam ser apuradas e corrigidas.”
Bruno destacou ainda que, ao longo dos últimos meses, o Sindicomerciários Caxias e as demais entidades sindicais realizaram reuniões, ouviram trabalhadores de diferentes unidades e reuniram documentos e relatos antes de encaminhar as denúncias aos órgãos competentes.
As preocupações do sindicato já haviam sido levadas à empresa em abril deste ano, quando representantes do Sindicomerciários Caxias participaram de uma reunião com Vânius Corte, auditor-fiscal do Trabalho e gerente regional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Caxias do Sul, juntamente com representantes das Lojas Colombo. Na ocasião, foram apresentadas denúncias envolvendo unidades de Caxias do Sul, Flores da Cunha e São Marcos.
Ao final da reunião desta semana, a empresa comprometeu-se a reavaliar os procedimentos internos e apresentar encaminhamentos para os problemas apontados. Entre as reivindicações das entidades sindicais está a reinstalação de computadores e mesas adequadas para o atendimento nas lojas ou, alternativamente, o fornecimento de equipamentos corporativos, de forma que os trabalhadores não sejam obrigados a utilizar seus próprios aparelhos para desempenhar atividades da empresa.
Uma nova reunião entre as partes ficou agendada para o dia 2 de setembro, quando o movimento sindical espera que a empresa apresente medidas concretas para enfrentar as irregularidades denunciadas e garantir condições de trabalho compatíveis com a legislação e com o respeito aos direitos dos comerciários.
