24 de abril de 2026

SINDICOMERCIÁRIOS CAXIAS, MOVIMENTO SINDICAL E TRABALHADORES DEFENDEM O FIM DA ESCALA 6X1 EM AUDIÊNCIA NA CÂMARA DE VEREADORES DE CAXIAS DO SUL

 SINDICOMERCIÁRIOS CAXIAS, MOVIMENTO SINDICAL E TRABALHADORES DEFENDEM O FIM DA ESCALA 6X1 EM AUDIÊNCIA NA CÂMARA DE VEREADORES DE CAXIAS DO SUL

Na noite desta quinta-feira, 23 de abril, o Sindicomerciários Caxias, CTB-RS, Movimento Sindical, trabalhadores e trabalhadoras estiveram reunidos na Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, que foi palco de uma audiência pública sobre fim da escala 6×1.

Conforme o projeto de lei encaminhado pelo governo Federal ao Congresso no dia 14 de abril, são fixadas as seguintes regras:

·  Redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial.

·  Manutenção do limite de 8 horas diárias, inclusive em escalas especiais.

·  Garantia de dois dias de descanso semanal consecutivos (24h cada

·  Regras valem para contratos atuais e futuros.

·  Aplicação a todos os regimes: integral, parcial e especiais, porém, mantém escalas como 12hx36 por acordo coletivo, respeitada a média de 40 horas por semana.

O presidente do Sindicomerciários Caxias,Nilvo Riboldi Filho, uma das lideranças do movimento pela luta pelo fim da jornada 6×1, afirmou em seu pronunciamento que, a escala atual, 6×1 vigora desde 1932, uma mudança de quase 100 anos, fruto de muita luta dos trabalhadores! Antes, os trabalhadores eram obrigados a cumprir jornadas exaustivas de mais de 12 horas por dia. Agora, estamos lutando pelo fim da escala 6×1 que vigora há quase 100 anos, porque a sociedade sabe que é necessário e possível. “Quando é para benefício do setor patronal e empresarial, aí pode! Nós queremos uma escala 5×2, 40 horas semanais, sem redução de jornada. Precisamos de mais tempo para viver!”, argumenta Nilvo.

“Nós precisamos de mais tempo para viver!”

Nilvo Riboldi Filho

Nilvo também fez um resgate histórico, para contra argumentar com os patrões e seus representantes:  “Quando foi para liberar lá os escravos, na Lei Áurea, em 1888, falaram que iria quebrar o país. Não quebrou! Em 1936, quando foi feito o Salário Mínimo, a CLT em 1943, os patrões falaram que iria quebrar o país. ‘Isso é um absurdo, vai quebrar! ’. E ainda com o 13º em 1962, ou com a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais, desde a Constituinte de 1988. Quando é para benefício do setor patronal e empresarial, aí pode! Nós queremos uma escala 5×2, 40 horas semanais, sem redução de jornada. Precisamos de mais tempo para viver! Para ver nossos filhos crescerem!”

Nilvo Riboldi Filho, presidente do Sindicomerciários Caxias.

Ivanir Perrone, tesoureira do Sindicomerciários Caxias e secretária Geral da CTB-RS, falou sobre os problemas causados pela falta de descanso e, no caso das mulheres, da dupla jornada de trabalho, que são as principais causas do adoecimento dos trabalhadores. “as mulheres, trabalhadoras, são as que mais sofrem com, tanto nas empresas como em casa, pois têm a dupla jornada de trabalho. Um dos atendimentos médicos que mais cresceu em nosso sindicato foi justamente o psicológico e psiquiátrico, precisamos urgentemente aprovar o fim da 6×1!”

Ivanir Perrone, tesoureira do Sindicomerciários Caxias e secretária Geral da CTB-RS.

O presidente da FECOSUL, Guiomar Vidor, afirmou que a escala 6×1 vigora no Brasil desde 1932 e que a jornada de trabalho só teve redução significativa com a Constituição Federal de 1988. “De lá para cá, os avanços tecnológicos impactaram todos os setores da economia: agricultura, indústria, comércio e serviços. Surgiram novas técnicas de gerenciamento, maior intensidade do trabalho com metas muitas vezes inatingíveis, uso de inteligência artificial e flexibilização das relações de trabalho após a Reforma Trabalhista de 2017, com modalidades como trabalho intermitente, part-time, banco de horas, terceirização, pejotização e escalas como 6×1 e 7×1. Estes fatores são mais do que suficientes para que a economia absorva estas medidas em prol dos trabalhadores”. Para Guiomar, vivemos o resultado dessa intensificação e desse novo mundo do trabalho, marcado por pressão constante: um ciclo de adoecimento e contaminação nas relações de trabalho. “Há ainda, a sobrecarga das mulheres, que sofrem com a dupla jornada, que é realizada em suas casas. Nossa tarefa é pressionar os deputados para que este projeto seja aprovado com urgência”, conclui.

Guiomar Vidor, presidente da FECOSUL.

O presidente da CTB-RS, Rodrigo Callais, o debate em Caxias do Sul reforça a urgência de mudanças. Em sua fala, afirmou que a mobilização precisa avançar politicamente e declarou que o objetivo é “não deixar nenhum deputado ir votar a favor dessa escala”, reforçando a pressão sobre o Legislativo para barrar a manutenção do modelo 6×1.

Rodrigo Callais, presidente da CTB-RS,