• 2 de fevereiro de 2026

Movimento sindical prepara ofensiva para enterrar a escala 6×1 em 2026

 Movimento sindical prepara ofensiva para enterrar a escala 6×1 em 2026

O sindicalismo brasileiro inicia o ano de 2026 com a meta unitária de
mobilizar a classe trabalhadora para conquistar a redução da jornada de
trabalho e o fim da exaustiva escala 6×1. Fortalecidos pelos recentes
acenos do governo federal, dirigentes sindicais planejam uma “grande
onda nacional” para converter o debate em lei ainda neste primeiro
semestre, aproveitando a janela política do ano eleitoral.





De acordo com lideranças sindicais ouvidas pelo Portal Vermelho,
o cenário mudou drasticamente após o presidente Lula sinalizar que a
economia brasileira está madura para essa transformação. Durante café
com jornalistas em dezembro passado, Lula foi enfático: “O país está
pronto e a economia está pronta para o fim da escala 6×1”. O presidente,
contudo, convocou os sindicatos à ação, defendendo que a iniciativa
deve vir de um processo de mobilização da sociedade.





A ministra Gleisi Hoffmann reforçou o coro em coletiva nesta semana e
tratou o tema como “prioridade do governo federal” para 2026,
destacando que a medida significa melhoria da qualidade de vida, e
soma-se a conquistas como o aumento do salário mínimo e a isenção do
Imposto de Renda.





Plano de mobilização unitária





Para Guiomar Vidor, presidente da Federação dos Comerciários do Rio
Grande do Sul (Fecosul/CTB-RS), o novo posicionamento do Planalto é um
divisor de águas. “O governo se reposicionou de forma extremamente
positiva. O próprio ministro Luiz Marinho, que antes focava na
negociação coletiva, agora assume esta como uma das principais bandeiras
do governo federal para 2026”, afirmou.





Vidor aponta que, embora o setor progressista seja minoria no
Congresso Nacional, a “maioria política na sociedade” é o trunfo para
aprovar a mudança. No Rio Grande do Sul, o plano de luta já tem data:
março, quando as campanhas salariais de 650 mil comerciários colocarão o
fim da escala 6×1 no centro da pauta. O dirigente defende a unidade
entre as centrais e o apoio ao PL 67/2025, da deputada Daiana Santos
(PCdoB-RS), que estabelece a escala 5×2 com 40 horas semanais. “Temos
que trazer o conjunto da sociedade, porque este não é um problema só da
classe trabalhadora”, alerta Vidor.





Produtividade e Justiça Social





Um dos principais argumentos do movimento sindical contra o discurso
patronal é o salto de produtividade gerado pela tecnologia. Vidor
destaca que a introdução da Inteligência Artificial e dos caixas de
autoatendimento (self-checkout) aumentou o lucro líquido das
empresas, reduzindo a necessidade de mão de obra intensiva. “Existe hoje
uma massa crítica suficiente para reduzir a jornada. Muitas empresas já
adotam o 5×2 por compreenderem a necessidade de o trabalhador ter tempo
para descanso, família e qualificação”, explica o dirigente.





A histórica luta pela redução da jornada de trabalho





Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo e
da União Geral dos Trabalhadores (UGT), trouxe uma perspectiva
histórica à luta, lembrando que a reivindicação por redução de jornada
remonta à Greve Geral de 1917. Ele recorda que, na Constituinte de 1988,
a jornada caiu de 48 para 44 horas, mas que oportunidades posteriores
foram perdidas por falta de consenso entre o movimento. “Agora o momento
é de unidade e de não recuar”, afirmou Patah.





Para o dirigente, o fim da escala 6×1 é um imperativo ético,
especialmente numa cidade como São Paulo, onde a maioria dos 600 mil
comerciários é majoritariamente de mulheres. “Essas trabalhadoras levam
uma hora e meia para ir e outra para voltar. No único dia de folga,
continuam trabalhando em casa. Muitas são chefes de família. É uma
questão que vai além da economia, é uma mudança cidadã e de inclusão”,
destacou.





Projetos que avançam no Congresso





Atualmente, o Congresso Nacional fervilha com propostas que visam
alterar a jornada de trabalho. Embora existam mais de uma dezena de
projetos apensados ou tramitando em paralelo, o “plano de voo” no
legislativo em 2026 concentra-se em três frentes estratégicas:





A PEC 148/2015 (Senado Federal) de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS),
é considerada a mais avançada. Após ser aprovada na CCJ do Senado em
dezembro de 2025, a proposta que reduz gradualmente a jornada para 40
horas ganhou tração e está pronta para o Plenário. O governo busca
usá-la como base para um acordo político que pacifique o setor
empresarial através de uma transição escalonada. Outra alternativa é a PEC 8/2025 (Câmara dos Deputados) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A
proposta foi o combustível popular que incendiou o debate nas ruas em
2024 e 2025. Tem como foco a proibição constitucional do modelo de seis
dias de trabalho por um de descanso, forçando a adoção de escalas mais
humanas como a 5×2 ou 4×3. A terceira opção é o PL 67/2025 (Câmara dos Deputados) de autoria da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS),
que foca na alteração direta da CLT. É a aposta da CTB e de setores da
esquerda para uma tramitação mais ágil, pois, por ser um Projeto de Lei,
não exige o quórum qualificado e o rito rigoroso de uma Emenda à
Constituição para mudar regras infraconstitucionais da jornada de 8
horas.





Redução da jornada é plenamente possível





De todo modo, a viabilidade de redução da jornada de trabalho já é
testada na prática por grandes redes e setores específicos, como hotéis e
supermercados, que começaram a implementar o modelo 5×2. Com o apoio do
Ministério do Trabalho, que classifica a aprovação em 2026 como
“plenamente possível”, os sindicatos agora focam em transformar a
indignação das redes sociais em mobilização nas ruas para fazer pressão
política sobre os parlamentares em ano de eleição.

Comerciários

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