Sindicomerciários realiza palestra sobre prevenção ao suicídio no ambiente de trabalho

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Na noite desta quarta-feira, 25 de setembro, o Sindicomerciários Caxias realizou palestra para esclarecer os comerciários sobre o alto índice de suicídios, depressão e a necessidade de prevenção no local de trabalho, atividade que marca o Setembro Amarelo. A palestra contou com o apoio da Faculdade Murialdo, que apresentou um estudo inédito em Caxias do Sul que indica o elevado grau de adoecimento mental dentro das organizações por fatores como assédio moral e a falta de espaço para o desabafo, diálogo.

A pesquisa apresentada pela Faculdade Murialdo “Suicídio e trabalho: estudo com jovens trabalhadores de Caxias do Sul”, foi desenvolvida pelo acadêmico do curso de Administração, voluntário do Centro de Valorização à Vida e técnico em enfermagem do SAMU, Geder Evando Gomes Weber, orientado pelo professor Ulisses Bisinella, mestre e doutorando em filosofia, e pela professora Gênesis Sobrosa, doutora em psicologia, coordenadora do curso de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos, dentro das ações do Núcleo de Iniciação Científica da instituição. O debate também contou com a participação da doutora Cleusa Maria da Rocha Vieira, psicóloga, que presta atendimento conveniado ao Sindicato para os comerciários e familiares.

40% dos entrevistados já tiveram diagnóstico de transtorno mental

O estudo, que foi desenvolvido ao longo de 18 meses, recebeu 245 respostas de um questionário aplicado a jovens trabalhadores de Caxias do Sul com faixa etária entre 15 e 29 anos. Os dados evidenciaram que 40% dos entrevistados já foram diagnosticados com um transtorno mental em algum momento das suas vidas, sendo os mais frequentes o transtorno de ansiedade (36,9%), a depressão (30,2%), o transtorno bipolar (8,2%) e o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (7,2%). Destes indivíduos, 40% apontam não seguirem tratamento regular (uso adequado das medicações e acompanhamento profissional regular). Não obstante, os dados também apontaram grande número de entrevistados que contam com pessoas próximas que já tenham tentado ou cometido suicídio (62%) – sendo em sua maioria amigos próximos (47%), seguido de familiares (37%) e por fim colegas de trabalho (16%).

Quando questionados sobre comportamento de risco, 60% afirmaram que já desejaram seriamente morrer (desejo de morte) em algum momento das suas vidas; 49%  já pensaram seriamente em terminar voluntariamente com a própria vida (ideação suicida); e, 15% confessaram já ter tentado tirar a própria vida (tentativa de suicídio). Entretanto, somente 11% dos participantes se afastaram do serviço, por atestado médico, em razão de algum evento psiquiátrico, e apenas 1% afastou-se do trabalho por laudo previdenciário, tendo recebido auxílio-doença.

Trabalhadores comerciários estão no grupo de risco

Entre os fatores detectados na pesquisa entre os jovens mais expostos estão os econômicos, que mostram maior propensão ao suicídio entre pessoas que trabalham no comércio e na prestação de serviços, principalmente entre os de maior escolaridade e com maior responsabilidade econômica no núcleo familiar. Já, no que se refere ao ambiente de trabalho, o problema atinge pessoas que já sofreram assédio moral; trabalhadores que não conversariam com seus supervisores ou chefes no caso de estarem passando por algum tipo de sofrimento; e, os que não têm acesso a um atendimento de escuta no trabalho.

“Fomos procurados pela professora Juliana Rossa, que nos mostrou o trabalho de pesquisa realizada pelo acadêmico Geder Weber, sob a coordenação do professor Ulisses Bisinella, que traz dados alarmantes sobre os riscos de suicídio entre os jovens de Caxias, e entre comerciários e comerciárias”, relata Ivanir Perrone, vice-presidente do Sindicato. “Diante dos dados da pesquisa, reforçou-se nossa convicção de que temos de investir na conscientização e na prevenção. O trabalho não pode ser gerador de infelicidade e doença”, alerta  Ivanir.

Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil, Divulgação