Comerciários recebem palestra sobre as mulheres no mercado de trabalho

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Estudo do Observatório do Trabalho da UCS aponta que as mulheres caxienses ampliaram sua participação no mercado, contudo, ainda ganham menos que os homens, mesmo apresentando nível de estudo superior.

Na tarde da última quinta-feira, 14 de agosto, os diretores do Sindicato dos Empregados no Comércio de Caxias do Sul (Sindicomerciários) se reuniram no auditório da entidade para receber a palestra da professora Lodonha Maria Portela Coimbra Soares, coordenadora do Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul (UCS), sobre o estudo do boletim anual Mulheres e Mercado de Trabalho, baseado na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). A atividade fez parte da programação da comemoração do Mês da Mulheres organizada pela entidade.

A professora Lodonha, acompanhada dos bolsistas Mateus da Silva de Souza, Mauricio Lopes Maidane, e Pablo Eduardo Vailatti, estudantes de Ciências Econômicas, apresentaram o relatório do estudo do Observatório, que aponta que as mulheres costumam ter maior nível de escolaridade (participação de 61,3% na educação superior) mas essa escolaridade se contrapõe com o rendimento inferior ao dos homens, -16,3%, analisando todo o mercado de trabalho, mas, que se separarmos apenas o comércio varejista e atacadista caxiense, chega a ser -20,6%.  “A diferença entre os rendimentos entre homens e mulheres está diminuindo, vagarosamente, mas ainda é muito grande”, analisa a professora, “temos um percentual maior que a média geral que é de 16,3%”.

As mulheres são maioria nos serviços, 60,1%, mas quase ausentes na Construção Civil, 7,7%. Enquanto isso, o comércio apresenta uma participação feminina de 49,7%.  “Elas, nos subsetores analisados, estão gradativamente aumentando a sua participação buscando maior inserção. Contudo, muitos fatores prejudicaram a melhora das condições de trabalho feminino, não só no comércio, mas no geral, como a instabilidade econômica dos últimos três anos, o ano eleitoral e, até mesmo a greve dos caminhoneiros, que afetou todos os setores da economia”, complementa. Os integrantes do Observatório analisam que as mudanças tecnológicas também estão afetando o mercado, já que as novas tecnologias, como a internet, tablets, celulares, e-comerce, fizeram as pessoas mudarem seus hábitos de consumo, a maneira como estamos comprando.

Um dos principais pontos que a pesquisa vem revelando é a grande participação no comércio de mulheres com mais de 50 anos, o que pode ser explicado pela mudança do perfil das mulheres dessa faixa etárias em relação às gerações anteriores, aumento da expectativa de vida e, fatores sociais, pois nesta etapa de vida, a maioria das mulheres já têm seus filhos criados e uma situação familiar mais estruturada, o que lhes permite uma permanência nos postos de trabalho.  As mulheres também estão trabalhando mais horas em relação aos últimos anos do estudo, saindo de 41 horas semanais, para 44 horas. Contudo, ainda falta muito para equiparar ao salário masculino, acrescido a isto, diferente dos homens, a maioria das mulheres têm dupla jornada de trabalho, pois ainda cuidam do lar, ou dos filhos.

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