Curso de formação da CTB-RS aborda gestão financeira e reformas trabalhista e da previdência

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Como realiza anualmente, a CTB-RS promoveu nos dias 3 e 4 de julho mais um curso de formação para dirigentes sindicais, em parceria com o Centro Nacional de Estudos Sindicais e do Trabalho (CES), no bairro Glória de Porto Alegre. O evento foi marcado pela participação de mais de 40 diretores e funcionários de sindicatos e federações de trabalhadores vindos de diversas categorias e regiões do estado.

Na abertura do curso, o presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, comentou sobre a importância de buscar novos conhecimentos para enfrentar desafios. “A participação expressiva de jovens e mulheres como vemos aqui é essencial para oxigenar as entidades. Estudar e aprender sempre, mais do que nunca agora para que possamos compreender o momento político que vivemos no país”, afirmou Vidor.

O curso, segundo o presidente da CTB-RS, serve ainda como uma oportunidade para aprender formas de dialogar com as categorias a fim de explicar o que será perdido pela classe trabalhadora caso as reformas propostas pelo governo federal sejam aprovadas. “Os trabalhadores reclamam de terem um dia de trabalho descontado por ano para a contribuição sindical. Mas precisamos explicar o que está em jogo. Se as reformas forem aprovadas, será perdido de 20 a 30 vezes mais que esse dia descontado. Precisamos conversar sobre isto”, alertou.

Ainda na abertura, o vice-presidente da CTB-RS, Sérgio de Miranda, defendeu a formação como uma maneira efetiva de fortalecer a luta ao renovar o ânimo e entregar mais conhecimentos. “Vivemos um momento muito difícil no país. Momentos propostos como esses do curso devem ser bem aproveitados pois são essenciais para seguirmos na luta. Temos como objetivo expandir esses cursos de formação para o interior do estado em busca de um sindicalismo cada vez mais classista e de luta”, disse.

Organização sindical

No primeiro dia pela manhã, a atividade foi comandada pela secretária nacional de formação e cultura da CTB, Celina Alves Arêas, que abordou os fundamentos básicos da Organização Sindical. Em sua palestra, a dirigente usou as conjunturas nacional e internacional para conscientizar sobre o grave momento político e econômico que o país vive e de que formas as investidas capitalistas visam acabar com o sindicalismo brasileiro.

Celina trouxe questionamentos pertinentes ao perguntar sobre os motivos da crise brasileira que começou em 2008 e se estende até hoje, o porquê de não conseguirmos eleger representantes diretos dos trabalhadores para cargos públicos e quais os motivos que levaram governos como o de Lula e Dilma, na América Latina, nas últimas décadas, a não se consolidarem. Indagações, segundo a diretora, que ainda não têm repostas e precisam ser muito bem refletidos. “Não tenho essas respostas, mas precisamos fazer uma autocrítica e perceber que fomos derrotados em uma série de aspectos”, alertou.

A dirigente trouxe ainda um dado que demonstra a desigualdade extrema que o mundo vive. Em que as oito pessoas mais ricas do mundo tem 50% da riqueza dos mais pobres, num claro sinal de que o capitalismo fracassou. Contudo, a falta de identidade e unidade dos trabalhadores como classe pode acarretar em perdas históricas.  “No Brasil, a burguesia quer retomar o espaço perdido a partir da Constituição Federal de 1988. Para isto, querem reescrever o documento  com as reformas que vem sendo propostas. Precisamos de unidade de classe e noção de que entender política é essencial para nossa vida”, defendeu.

Direitos sindicais, trabalhistas e previdenciários

Na parte da tarde do 1º dia e na manhã do 2º dia, o professor e advogado, José Geraldo Santana, deu ênfase aos direitos da classe trabalhadora e dos sindicatos. Conquistas que estão sendo ameaçadas com reformas como a trabalhista, que representa apenas interesses empresariais. “A origem dessa reforma se dá em 2012 quando a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou ao governo 101 propostas de mudanças nas leis trabalhistas. Chamando assim de modernização. Essas alterações integram hoje o projeto que está para ser votado no Congresso”. Segundo o professor, também colaboraram com a reforma o ministro Gilmar Mendes, o ministro do TST, Ives Gandra e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Os objetivos das mudanças propostas é claro: destruir o estado democrático de direito e reescrever a CLT, que hoje funciona como uma forma de proteção do trabalhador ao capital”, alertou Santana.

Já o segundo assunto abordado pelo advogado foi a previdência social. Santana se deteve em explicar os três tipos de regimes previdenciários: a Previdência Própria, exclusiva para servidores públicos, a Previdência Geral, para todos os trabalhadores brasileiros, e a Previdência Privada, complementar e opcional que pode ser paga por qualquer brasileiro. O professor falou ainda sobre a origem do fator previdenciário, criado no governo FHC, que segue implantado no país até hoje, dificultando que os trabalhadores consigam se aposentar. Como ficarão, caso a reforma da previdência seja aprovada, as idades para homens e mulheres se aposentarem também foi debatido. “O maior prejudicado com as mudanças será o filho do pobre, que começa a trabalhar mais cedo, contribui por mais tempo e mesmo assim terá o seu direito de se aposentar protelado”, afirmou.

Gestão Financeira

A palestra que encerrou o curso foi a do professor de administração da PUC-Campinas, também dirigente sindical, Ednilson Arendt, que falou sobre gestão financeira e como utilizar recursos da melhor maneira possível. Para o professor, planejamento, organização, liderança, execução e controle são processos essenciais para uma boa gestão.

Arendt falou ainda sobre oportunidades de ação em período de cortes e fez um alerta: verificar bem onde cortar gastos porque em casos malfeitos podem resultar em prejuízos futuros para a entidade.

Fonte: Portal CTB-RS, por Aline Vargas

Fotos: Aline Vargas

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